Feliz dia maduro das mães.
Mom,
hoje pela manhã acordei no turbilhão de minhas confusões diárias esbravejando aos sete ventos interiores o quanto na minha insignificância, este momento de minha vida, me parece interminavelmente complicado.
Quando penso nas fases de minha vida, assim como aconteceu agora a pouco, com as crianças no portão, caio em mim que tudo seria então complicado se não pudesse fechar os olhos e sentir que independente de minhas milhares fases e estados - também físicos- você estará sempre lá, por perto.
E digo aqui, fases, por que sei também que nesse momento você pensa - “filha, eu não vivo pra sempre”. Ainda assim, você sempre estará e será mais do que o discurso de alguém que se vai e se transforma em uma nova estrelinha no meu céu. Somos conexão de um só, eu com você, você comigo e nossas vidas. E isso, é o incondicional..
Obrigado pelos milhares de momentos de amparos, resignações e abdicações de um vida inteira pra que a minha fosse diariamente menos confusa e aparentemente mais estável.
Apesar de nesse momento ter a obrigação de admitir que tais medidas não tenham funcionado a priori, e que o meu conto de fadas tenha se estilhaçado - afinal, Mom, você não tem super poderes reais, apesar de muitos poderes!.
O dia continua a me mostrar incessantemente a minha insignificância diante do monstro lá fora, as crises continuam a aparecer, e as dúvidas continuam a fazer parte, e apesar de todo esse barulho dos estilhaços ainda existir, sei com todo o meu coração, que de um jeito ou de outro, tudo meu será compartilhado. De forma quase inconsciente ou até mesmo por mágica. Não só de um conto de fadas, mas também de uma ligação quase que fisiologicamente umbilical…
Obrigado por ser essa fortaleza incondicional, esse lugar das cinestesias mais puras. De me aceitar em todas as minhas mutações, e confiar na minha capacidade de reproduzir todo o conhecimento sutil e sensível dos meus vários e árduos dias de aprendizados dos seus.
Obrigado por confiar em momentos em que eu mesma me perco de mim, e o que mais preciso são direções. Obrigado por confiar em algo ou alguém que sou, que muitas vezes não consigo ver, e ainda assim você enxerga.
Obrigado pela companhia e por todo amor incondicionalmente dedicado, todos os dias…
Amo você.
Olhos mecânicos.
Me apaixono por aqueles que partilham minhas dores. Amor na admiração e na vontade de acalentar um só.
No espelho reflexo de um eu perdido, resto do que fomos naquele momento:
dois.
Meus olhos, radares de angústias, procuram os teus. Suas mãos carregam lentes em teus dedos e seus olhos por de trás do vidro me desvendam. Nua, percorrem meu corpo, e acalentam minhas feridas como se dissesses: anda, acalma teu coração, tua dor também é minha.
Assim me apaixonei por você. No caminho entre nossos olhos e na distância intangível de um olhar mascarado na barreira sólida de seu vidro protetor. De mim, e de tudo aquilo que também desejavas.
Amores impossíveis.Repletos de distâncias imaginárias, e cobertos por impossibilidades reais. No meu voyerismo individual me satisfaço no que nem se quer são os teus próprios olhos. Sabíamos ali, algo impronunciável ocorria e por razões maiores do que essa, tu preferistes deixar presa em tuas lentes o meu olhar no teu.
No meu momento de esperança grito em silêncio para que você me ouça.
Em vão. Os teus olhos nunca pertenceram a mim…
Talita Florêncio
um pedaço daquilo que não se quer saber.
Alguma coisa deve ser preenchida quando repentinamente roubadas são suas razões.
Sou uma por entre muitos caminhos vivendo a minha perda, não por inteira, mas é ela quem me destaca. Eu falo do vazio. Do vazio capaz de mudar o curso de mim a procura incessante e ininterrupta pelo preenchimento. Não deixei de viver, mas passo os meus dias entre a loucura e a lucidez.
Minha razão fez de mim uma ostra. Roubadas foram as minhas pérolas e em seu lugar buracos de vísceras deixados. Eu não deixei de viver mas daqueles sábios que me vêem por aí não os engano. Me escapo nos olhos. Minha cabeça tomou meu coração e uma pequena, mas imensurável parte as vezes transmuda em sombras…
Eu não deixei, mas ainda assim renasci inerte repleta e estampada de uma falsa importância da vida. Eu não deixei de viver, contudo me engano em acreditar que posso voltar atrás, e que viver a sua rotina me trará você de volta.
Sou lúcida e vivo a me pegar balbuciando o seu nome, me embalando em você como se seu terno me fosse terno quando me enlaça. O fio da navalha é frio em meu rosto e mesmo sem aparente identificação, o ato me parece mais comum do que eu mesma imaginaria. Me visto em você e saio pelos corredores ao som de todas as nossas canções e te carrego comigo colado em meu corpo com o seu suéter a me fazer carinhos.
Eu ainda vivo pra dizer que vivo, mas volto pra casa a dizer sem se quer um dia:- Bom dia amor, que seu dia seja lindo!
Boto a mesa pra nós dois e o seu jornal na companhia de seu café. Forte e com pouco açúcar. Ouvimos o noticiário e você me diz que o dia está lindo, - bom pra respirar. Combinamos um jantar ao final da tarde. É verão e não muito adepto dele, aproveitamos o pôr-do-sol no ritual de dividir a nossa rotina. Digo que sim, e pauso minha mão sobre a barriga na espera de um sinal de aprovação…
E ele veio.
-Sim, iremos.
Talita Florêncio
esmola por um amor demais
Assina-se um contrato
de locação de um coração
com o prazo por vencer.
uma vez acreditei que saudade era possível de se ter sem uma vez se ter tido.
talvez tenha sido essa a verdade mais sincera de uma adolescência…
ainda hoje, não sei dizer onde exatamente esse coração quente se enquadra em mim. mas ele existe, e é cheio de saudade de um nós nunca vivido.
talvez não um nós. mas um eu e você.
talvez esse coração seja mais inofensivo e doce do que imaginaria, e minha vontade de viver assim perto não seja pra essa vida. talvez, um resquício certo de outras passadas vidas entre nós. nada de muito sobrenatural.
não quero acreditar que o tão doce seja só de desejo, e visto os nossos caminhos, não acredito em algo tão efêmero.
você é minha espera platônica. é quem me tira do marasmo da rotina e me impulsiona a fechar os olhos torcendo como uma adolescente esperançosa pra fazer daquele sonho um encontro…
pra de alguma forma te trazer por perto, pra um abraço, carinho e uma troca de confidências não reais.
por mais que o aperto do desejo algumas vezes venha forte, já descobri por mim que o que há entre nós não há materialidade que explique. nem razão que me desprenda. nem o seu não-entendimento que não me faça acreditar que sim…
e só depois de maturado, hoje posso dizer que é doce e que não é pra agora.
talvez nunca, mas sempre pra mim.
Talita florêncio
a frieza começa no passo em que o amor deixa de vir.
as visitas se foram e por alguma insistência o meu amor continua a brigar com os fatos ali, naquela porta que o seu amor bateu e que por de trás se esconde.
existem limites na espera.
dada a invasão, o início é pelos fundos, na edícula, estampando um ato de bondade naquela ilusão de te fazer acreditar, que a medida drástica e excessiva de domínio não passa de uma medida provisória de segurança.
a varanda ocupada passa desapercebida entre o azul e o nublado dos dias. a cozinha e a sala entram no vai e vem da rotina acelerada de conturbações.
é no corredor que a frieza anuncia o seu domínio. com o vento frio de baixo de sua porta, em seu comodo vazio, o gelado parece ser ainda assim um sossego, algo para se preecher.
quando entre os limiares de sua vida, você se vê locado no futuro de um passado encantador, as chances de sua espera pelo revisita é frustrante.
trago pacotes deles durante a vida. no caminho os deixo para trás, e junto a eles minha força na vontade e na esperança de receber amor.
e no momento em que me forço a acreditar na evolução e prenúncia da maturidade, recordo a mim que receber sempre foi, ainda que esquecido, o mais importante dos sentimentos.
é deslacerante a descoberta. passado os muitos caminhos e muito a frente do seu próprio passado a revelação se torna tardia, um prato frio, como todo bom sarcasmo.
Talita Florêncio
é natal
vidrada nas luzes saltitantes das arvores, o único pedido que me preenche as ídeias é a vida útil da confiança.
é morno como o peru e todas as carnes da mesa.
não sei como, mas perdi a minha ingenuidade neste natal e com ele a minha vocação.
Talita Florêncio
Quando vc se descobre uma farsa.
o mais dificil é olhar a sua volta e no meio de sua teia imensa desconectar os fios. como saber os fios ? como saber os que te alimentam e os que te consomem…..?
sou a minha presa, e contrário do que parece, me ver colada em minha própria teia não me aflige. Tenho visões privilegiadas, e o tempo passa no meu tempo, afinal, não resta muito além da paisagem.
Não sei ao certo como cheguei ali.
Em minha teia de mãos e pés atados vejo ao longe outros, que por tempos ao me confrontar em suas imagens, me afligiam e me arrastavam em um abismo de culpa e auto-desprezo. O desespero da competição .
Derepente me sobe um nojo à garganta…
Agora mais perto, tudo aquilo que antes me causava ânsias de desejo se transformam um a um em um amontoado de tralhas protetoras e de mesquinharinhas desprezíveis.É muito baixo. A farsa contra você mesmo é um caminho amargo e te ilude no doce primeiro início…
No vazio, chego onde minhas mãos frenéticas se perdem no desespero dos movimentos, empurrando vazio atrás de vazio na luta contra o fatídico buraco negro…….Não chegamos . Aos poucos meu dedos dormentes começam a desistir, e a entorpecencia devagar irradia o perímetro do meu corpo. Inerte, já não importa mais o que sobrou se aquele interminável infinito continua.
Sou agora um balão… e abandono minha própria teia. Batendo contra as paredes, em busca não mais de abrigo, mas de alguma coisa que seja menos que o infinito e mais que uma prisão.
Talita Florêncio
Olhos mecânicos.
Me apaixono por aqueles que partilham minhas dores. Amor na admiração e na vontade de acalentar um só.
No espelho reflexo de um eu perdido, resto do que fomos naquele momento:
- dois.
Meus olhos, radares de angústias, procuram os teus. Suas mãos carregam lentes em teus dedos e seus olhos por de trás do vidro me desvendam. Nua percorrem meu corpo, e acalentam minhas feridas como se dissesses: anda, acalma teu coração, tua dor também é minha.
Assim me apaixonei por você. No caminho entre nossos olhos e na distância intangível de um olhar mascarado pela barreira sólida de seu vidro protetor. De mim, e de tudo aquilo que também desejavas.
Amores impossíveis.
Repletos de distâncias imaginárias, e cobertos por impossibilidades reais. No meu voyerismo individual me satisfaço no que nem se quer são os teus próprios olhos. Sabíamos ali, algo impronunciável ocorria e por razões maiores do que essa, tu, preferistes deixar presa em tuas lentes o meu olhar no teu.
Em meu momento de esperança, gritei em silêncio para que você ouvisse, mas teus olhos nunca pertenceram a mim.
Talita Florêncio
(Source: billyjane)
Uma pressa, uma urgência.
E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer.
Destruir antes que cresça.